Cartas sem destino

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Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Um filho nunca morre ...

Foto retirada de http://desmat.no.sapo.pt

 

 

Naquela noite, Pilar e Isabella não conseguiam dormir, estavam demasiado excitadas, nervosas, ansiosas com os seus amores ...

Então, Pilar lembrou-se:

- Isabella, já reparaste que há muito tempo não olemos nenhuma carta?

- É verdade, Pilar! Andavámos a esquecer do tesouro que temos cá em casa.- disse Isabella.

E lá foi Isabella a correr direitinha à caixa. No caminho, já vinha a abrir o envelope ...

 

" Querida Cristina,

 

Como não consegui ligar-te, pois dizem que o teu número já não existe, resolvi escrever-te esta carta para te dar uma notícia.

Da última vez que falámos o estado de saúde do Alexandre tinha piorado, passava uma semana em casa e três no hospital. Nestes últimos dois meses o seu estado piorou de dia para dia, nem dei conta que já não falavámos há três meses. Achei estranho o teu silêncio, mas amiga, estava tão desorientada e sem forças que apenas me concentrava na possível cura do meu filho, nalgum tratamento milagroso que lhe pudesse dar mais uns anos de vida ou que aparecesse um dador compatível.

Deixei de acreditar na medicina, nos homens e em Deus ... que mal poderá ter feito uma criança para sofrer tanto como ele sofreu?

Sim, Cristina, o Alexandre faleceu há 15 dias, deixou-me ... deixou-nos ... ainda penso que é um pesadelo ou que ele ainda está no hospital ... mas a verdade é que o meu menino, o meu bebé, o meu anjo partiu ... e a dor é tão grande, o vazio que ele deixou é tão imenso que nada, nem ninguém jamais poderá substituí-lo ...

Não mexi no quarto dele, está tudo igual como ele gostava, as suas roupas estão arrumadas e direitinhas no guarda-vestidos. Os livros que ele gostava de ler, os seus brinquedos favoritos ... e quando a saudade aperta muito, vou deitar-me na sua cama, agarrada ao urso Pintinhas e adormeço a chorar.

Não sei se conseguirei viver assim ou sobreviver ... a única certeza que tenho é que um filho nunca morre, ele continua vivo no nosso coração, no nosso ventre como se fosse o primeiro dia de vida, de ser ...

 

Amiga, preciso de ti ...

 

Um beijo

 

Anabela"

 

publicado por Ennoea às 18:38
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Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Dar uma chance ao amor ...

Foto retirada de http://oblogdalibelua.blogs.sapo.pt

 

 

Enquanto Pilar andava nestes pensamentos existenciais, dúvidas amorosas e receio de dar um passo maior em relação à sua vida sentimental, Isabella tinha sido apanhada por um Cupido apenas em oito dias ...

Tinha jurado a si mesma, depois do desaparecimento de Gabriel nunca mais se envolver com ninguém, ainda amava o seu noivo desaparecido, no fundo da sua alma existia uma dor enorme, um vazio inexplicável ... mas às vezes, a vida gosta de brincar connosco ...

Acerca de um mês tinha chegado um colega novo ao serviço, tinha vindo destacado do Porto, chamava-se Miguel ... era moreno, olhos verdes, cabelo preto, tinha sido campeão nacional de natação e ... tinha um corpo fabuloso ... Isabella assim que o vira tinha dado um enorme suspiro e comentou com Pilar:

- Já reparaste no nosso novo colega, é cá um borracho!

- Bem, amiga, acho que estás apanhadinha! - respondeu Pilar, a rir.

A verdade é que passado quinze dias, ele convidou-a ir  passar uma tarde com ele a Sesimbra, passear à beira-mar, conversar um pouco para se conhecerem melhor ... Isabella ficou indecisa, mas Pilar insistiu tanto com ela que acabou por aceitar.

A tarde foi fabulosa e estendeu-se até de madrugada. Incluiu um jantar à beira-mar, um passeio pela Arrábida, um rol de confissões ... Isabella descobriu em Miguel tanta coisa em comum que ficou fascinada ... dizia a brincar que tinha sido visitada por outro anjo.

Anjo ou homem ... a verdade é que passados oito dias já Isabella conhecia a cama de Miguel ... bem a cama e muito mais ...

Quando ela colocava um olhar vazio , no abstracto ele sussurava-lhe ao ouvido:

- Todo o ser humano deve dar uma chance ao amor ... pelo menos mais uma vez ...

publicado por Ennoea às 22:18
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

O coração não dói ...

 Can U See Me?

Foto retirada de  http://olhares.aeiou.pt

 

 Pilar andou vários dias angustiada ... com uma sensação que não conseguia descrever ... por um lado era o passado que tinha vindo ao de cima; por outro, aquele jantar tinha mexido com ela. Pensava que todos os momentos que tinha vivido no Campo de Refugiados com João tinham ficado bem arrumados na sua memória, julgou que aquele vulcão emocional que tinha despoletado em Àfrica tinha sido a aventura, a partilha, a entreajuda, o cheiro a terra e a mato, o despertar dos sentidos em terras africanas, a solidão, a fragilidade da condição humana ... quando estava desesperada João tinha sempre um ombro amigo para a acolher, um colo para lhe acalmar as lágrimas, um carinho para a fazer sorrir ... e no fundo, ela tinha-se convencido que era apenas todo o clima daquela missão que tinha feito que os laços deles tivessem ficado tão próximos.

Mas agora tinha constatado que afinal não eram apenas laços, que não era apenas o resultado da solidão, da fragilidade de ambos, mas sim um sentimento mais profundo, uma falta em si mesma que não conseguia explicar ... a sua alma sentia-se só, apesar das atenções redobradas de Isabella que já tinha percebido o caos que a mente e o coração da amiga estavam, o seu coração doía ... mas a sua mãe sempre lhe dissera que o coração não dói ...

Estava apaixonada, mas não poderia estar ... lutava entre a razão e a emoção ... sabia que João era a sua alma gêmea, o homem da sua vida ... mas ele já era de alguém ... e era um pai de familia ... e ela respeitava a familia, os filhos acima de tudo ... destruir um lar jamais ... nem que tivesse de sacrificar a sua própria felicidade!

 

 

 

 

 

publicado por Ennoea às 10:01
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Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Amor Eterno...

 

 

 

(imagem retirada da net)

 

Durante o período de tempo, que passou desde o jantar até a abertura de mais uma das cartas, Pilar andava totalmente absorvida nos seus pensamentos.
Isabella por seu lado andava com uma nova esperança, quem sabe Gabriel ainda estivesse vivo…
Nessa manhã de sabádo tomavam o café sentadas na varanda, Pilar desfolhava o jornal, procurando as palavras cruzadas.
Isabella segurava numa torrada e com a outra mão segurava numa das cartas, que tinha retirado da caixa.
- Abre tu, Pilar.
- Ora vamos ver…Humm, um amor proibido…. Disse Pilar.
 
 
Querida Matilde:
 
Da janela do meu quarto, de onde tantas vezes te observei a passear por este jardim imenso, escrevo-te esta carta.
Lá ao longe, onde nos conhecemos e beijamos pela primeira vez, o nosso lago, mantém o mesmo ar fresco e água límpida de sempre, assim como me recordo do teu corpo, onde tantas vezes matei a minha sede.
Cada árvore que o rodeia de braços estendidos, fazem-me lembrar de ti, quando corrias para te aconchegares no meu colo, e eu de braços abertos te recebia.
Minha querida, não suporto mais esta tormenta, chegou a hora de partir, de me afastar deste mundo.
O meu coração chora profundamente esta partida, por ti, por mim…
A minha vocação chama-me, e por mais que te ame, para mim, ser-me –ia impossível viver, se não cumprisse os desígnios para que nasci e vim a este mundo…
Levarei para sempre comigo, o cheiro dos campos nos teus cabelos, o cheiro da tempestade de verão no teu corpo, o cheiro de amoras silvestres nos teus lábios.
Serás para sempre a minha amada, e um dia quando estivermos noutro lugar, onde não há pecado, ainda me recordarei de ti…
Sou teu… para toda a eternidade…
 
J.R.

 

publicado por Raquel às 05:00
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Terça-feira, 8 de Julho de 2008

Demónio de Saias

 

la vie est belle.....

 

 (imagem retirada da net)

 

Os dias que se seguiram, foram vividos numa ânsia constante por Pilar...

 

- Tenho que me despachar, o João vem buscar-me ás 20h, vamos jantar fora. – Avisou Pilar, agitada e indecisa no que iria vestir nessa noite…
- Hummm, estou a ver… quer dizer que hoje não tenho companhia. - Respondeu Isabella, piscando o olho á amiga.
 Pilar não aceitava a ideia de estar rendida definitivamente a um homem...
Adorava flirtar com homens atraentes e que se faziam de difíceis, só para ter o prazer de os conquistar…era eximia na arte da sedução.
Quando o conseguia… deitava-os para trás das costas e seguia para a nova conquista.
Parecia reservada, mas quando queria tornava-se um demónio de saias.
Desde a escola que era assim, quando se recordavam desses tempos as duas, riam alto e bom som…
 
Ás 20h em ponto, chegou João…Isabella ouviu a campainha tocar e apressou-se a abrir a porta..
- Olá – exclamou ele..
- Olá João, sempre pontual..
Pilar dirigiu-se á sala, escolhera um vestido deslumbrante, que realçava ainda mais as suas formas irresistíveis…
- Estás linda…sussurrou Isabella, enquanto se dirigia para a cozinha…
João olhou-a e ficou embevecido… 

 

publicado por Raquel às 03:30
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Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

Um amor além do visivel ...

 

 

 

Amor.

 

(Imagem retirada da net)

  

 

Isabella recordou com muita emoção uma conversa que aconteceu entre ela e Gabriel, quando começaram a planear a sua vida em comum...Planearam tanta coisa e nada aconteceu...

Queria tanto ter uma família com Gabriel, serem felizes...viverem um para o outro.

 

Pilar dando-se conta, interrompeu-lhe os pensamentos e informou-a:

 

- Sabes quem me telefonou? - disse sorrindo e tentando desanuviar o ambiente...

- Não... - respondeu Isabella fixando o olhar no infinito.

 

- O João , lembraste dele?

 

Isabella sorriu e acenou com a cabeça, dando sinal que sim.

 

João era um médico que Pilar conhecera quando estivera no campo de refugiados.

Desde essa altura que sentia um calafrio na espinha sempre que falava dele, era um homem charmoso e muito corajoso capaz de enfrentar tudo e todos...

Pilar amava-o como nunca amou ninguém, sentia que eram almas gémeas... havia um enamoramento espiritual entre ambos, algo mais que carnal.

Mas por vezes questionava-se se seria certo esse amor, uma vez que ele era comprometido, pelo menos era o que sabia...

 

 

publicado por Raquel às 15:30
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Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

Um pequena surpresa...

 

 

(imagem retirada da net)

 

Pilar percebera que a amiga se sentia infeliz.
Convidou alguns amigos, preparou um fondue de carnes, que Isabella adorava.
Quando Isabella colocou a chave na porta de casa para entrar, sentiu um cheiro inconfundível que vinha da cozinha.
Começou a sorrir e correu para Pilar, colocando-lhe os braços à volta do seu pescoço e disse-lhe:
-Sabes sempre como me levantar o ânimo, por isso gosto tanto de ti, mana.
- Deixa de ser lamechas, eu sei que farias o mesmo por mim – respondeu Pilar, dando-lhe um beijo repenicado.
Isabella ficou agradecida por este gesto, a amiga andava cheia de trabalho, no entanto não se poupou a esforços para lhe dar aquela alegria.
O jantar correu maravilhosamente, sentiam-se em família, apesar dos muitos quilómetros de distancia da sua terra.
Pilar adorava estes convívios, cedo ficou sozinha com a mãe, o pai partira em busca de fortuna, para outro continente e nunca mais voltou, nem deu noticias.
A sua mãe durante anos esperava que passasse o carteiro, corria em direcção ao portão, fazendo sempre a mesma pergunta:
- Traz alguma carta para mim?
- Só as do costume … - respondia o carteiro.
Com os anos foi perdendo a noção do tempo que tinha passado, havia dias em que Pilar simplesmente não a entendia, apesar de tudo, continuava a amar o marido, que a abandonou.

 

publicado por Raquel às 15:30
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Pesadelo

 

 

  

 (imagem retirada da net)

 

Desde o dia em que Gabriel desapareceu, como se tivesse sido engolido pela terra, que ninguém sabia nada dele.

Aos poucos Isabella, foi perdendo a alegria tão característica dela, o seu semblante era por vezes fechado, e só tinha um objectivo, encontrar ou saber o que se tinha passado com o homem que mais amou em toda a sua vida.

Chorava vezes sem conta a pensar nele, as vezes Pilar acordava com um grito que rompia o silêncio da noite, era mais um dos seus pesadelos, onde chegava a igreja e Gabriel não estava, este sonho horrível perseguia-a.

Isabella, carregava com ela a dor da dúvida, da ausência, sentia-se triste, desamparada e só pensava em ajudar os outros que assim como ela, mas de forma diferente enfrentavam algo que os derrotava.

Era como se sentia derrotada, por não poder viver a sua vida, com o homem que desejava.

Tantos planos, tanto amor.

As lágrimas caiam, Isabella questionava-se porque tinha de ser ela a passar esta prova tão difícil.

Pensou em falar a Pilar, e desistir de ler as cartas... ali encontrava tantas palavras que a faziam recordar Gabriel.

publicado por Raquel às 15:30
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Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

A descoberta ...

 

 S/T

 

Estavam exaustas, tinham percorrido toda a cidade, mas até então, não tinham encontrado um apartamento que pudessem suportar financeiramente.

Como por sorte, deram conta que em frente ao local onde estavam, havia um número de telefone, num dos apartamentos, nem pensaram duas vezes.

Cinco minutos depois, estavam no interior do mesmo.

 

Era urgente uma pintura, limpeza geral, e ficava óptima.

 

No dia seguinte começaram a mudança, as limpezas e arrumações.

Quando se preparavam para arrumar a bagagem dentro de um dos roupeiros, encontraram um caixa de cartão.

Talvez o anterior morador se tivesse esquecido...

Informaram o senhorio, que lhes revelou um pouco daquela caixa.

 

" - Está cheia de cartas!" - disse...

 

Ao longo dos anos tinham chegado todos os dias, com um remetente e destinatário diferentes, sempre para aquela morada.

Quando as devolvia ao carteiro, como por um passe de magia, no dia seguinte, voltavam á caixa de correio.

Até que desistiu de as devolver e as foi guardando.

Há cerca de um ano que deixaram de aparecer.

Nunca as abriu, na esperança que um dia os donos as reclamassem.

 

As duas amigas, ficaram curiosas, imaginando o que cada carta diria.

Talvez estivesse na altura de serem lidas.

A curiosidade fervilhava ....

E a caixa foi aberta.

 

 

 

 

publicado por Raquel às 03:30
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